Quem somos

 MANIFESTO DE LANÇAMENTO DA CSD

 

Uma CUT para uma nova fase da luta de classes

 

A CUT Socialista e Democrática – CSD é a mais nova corrente sindical da Central Única dos Trabalhadores - CUT. Nasce em 2002 para contribuir com o esforço coletivo de tornar o sindicalismo cutista uma ferramenta mais eficaz na nova fase da luta de classes  A tarefa é ainda mais urgente porque a disputa de rumos no país está, novamente, na ordem do dia. As forças democrático-populares têm chances reais de conquistar o governo central do Brasil e abrir caminhos para a disputa pelo poder.

 

Uma aposta militante

A CSD reúne militantes sindicais, homens e mulheres, de diferentes gerações e etnias, de diversas categorias e dos vários estados do país que buscam resgatar o sentido mais profundo da palavra militância. Pessoas que sentem e agem como parte de um amplo movimento de transformação da sociedade, maior que o próprio o movimento sindical. Lutadores e lutadoras sociais que assumem a política como espaço e tempo para fazer a história.

 

Pessoas que compartilham valores sem os quais uma utopia fica apenas no plano da retórica. Rebeldia perante a ordem imperial. Indignação frente à injustiça social e a todas as formas de opressão e discriminação. Solidariedade que faz da luta de cada oprimido a luta de toda uma classe. Generosidade para dedicar sua energia para a emancipação humana. Coragem para assumir e buscar superar os conflitos e contradições presentes na construção de uma nova cultura. Pessoas comprometidas com a construção de uma profunda aliança social do sindicalismo cutista com o MST, com a Marcha Mundial de Mulheres, movimentos indígenas e ambientalistas, com os afrodescendentes, a Central de Movimentos Populares, a juventude, movimentos culturais, de gays e lésbicas e todos aqueles e aquelas que lutam contra a exploração e toda forma de opressão.

 

Militantes sindicais de diferentes tradições e que compartilham uma identidade programática que se expressa numa visão comum, mas não fechada, sobre os impasses estratégicos vividos pelo sindicalismo cutista na sua construção e em sua orientação política e sobre como responder aos desafios da luta de classes no Brasil e no mundo.

 

Duas décadas, novos desafios

 

A história da CUT nesses quase 20 anos foi marcada por períodos distintos. Surgiu no bojo da crise do regime ditatorial nos anos 80 e num cenário internacional marcado pelo avanço do projeto neoliberal e pela crise do socialismo burocratizado. Da sua fundação em 1983, na esteira da primeira greve geral depois de décadas, à greve geral de 1989, o sindicalismo cutista cresceu sob os signos da mobilização de base, da democratização das entidades, da combinação da ação sindical com a intervenção política e do debate e da disputa de alternativas para o país.

 

Nossa participação na CUT, nessa fase de ascenso das lutas, deu-se através da CUT pela Base (1986-1992), expressão de uma aposta na radicalização da democracia no sindicalismo cutista e no protagonismo da Central na disputa política e ideológica na sociedade.

 

Os anos 90 revelaram uma mudança de período histórico no Brasil com graves conseqüências para o sindicalismo. O desfecho da polarização política e ideológica construída na década anterior foi a constituição de uma nova institucionalidade burguesa, legitimada pelo processo constituinte, e a implantação do projeto neoliberal. Alteraram-se profundamente os fundamentos do Estado brasileiro (privatizações de empresas e serviços; desregulamentação e liberalização dos mercados etc.) e modificaram, também profundamente, o perfil da classe trabalhadora (cresceu o desemprego, o trabalho precário e o setor informal; diminuiu o peso do setor industrial etc.).

 

Os impasses vividos pela CUT resultaram de sua incapacidade para responder a essa nova condição de sua base social e intervir na questão do poder no marco da nova institucionalidade. A crise do sindicalismo cutista revelou insuficiências da acumulação anterior das diversas correntes e, também, a aposta em perspectivas estratégicas erradas por parte do setor majoritário.

 

Nessa fase de atuação defensiva a tarefa prioritária foi organizar a resistência às pressões de adaptação à ordem que a Central sofria. Foi nesse contexto que construímos, junto com outras correntes políticas, a experiência da corrente Alternativa Sindical Socialista em meados da década.

 

Enquanto a CUT pela Base se inseriu num período de ascenso da luta sindical, de polarização política e ideológica na sociedade brasileira, a ASS foi uma resposta defensiva num período de descenso, um projeto de resistência diante da ofensiva neoliberal.

 

Nossa aposta para que a ASS se constituísse como uma corrente orgânica, baseada em acordos programáticos não foi vitoriosa. O reconhecimento consensual de seus limites levou a uma redefinição de seu projeto original e a ASS passou a ser apenas uma frente de alianças prioritárias.

 

A aposta numa corrente sindical só se justifica quando ela combina concepção sindical com concepção política; quando tem capacidade de propor, intervir e atuar de forma coletiva; quando sua identidade se expressa em uma prática e em posições políticas comuns; quando as diferenças internas não levam a um imobilismo.

 

As dificuldades para cumprir esse papel e as divergências políticas entre os setores que a compunham levaram-nos a avaliar que o projeto da ASS havia se esgotado. Por isso nos desligamos da ASS em finais de 2001.

 

A retomada das lutas

 

O Brasil chegou tarde ao neoliberalismo, mas a crise desse projeto ocorreu de forma sincronizada a nível internacional e nacional. Por isso, quando em novembro de 1999 milhares de manifestantes protestavam contra a reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Seattle, nos EUA, marcando de forma emblemática um ascenso mundial da luta anti-globalização, o Brasil estava mergulhado na crise do Plano Real.

 

A crise mundial do projeto neoliberal veio acompanhada do crescimento das mobilizações populares e de uma relegitimação do debate sobre as alternativas. O Fórum Social Mundial - FSM é uma das expressões internacionais dessa nova etapa.

 

A CUT sentiu os reflexos desse novo período. Voltam as mobilizações - como a Marcha dos 100 mil, em 1999 -; a estratégia que priorizava uma postura propositiva em detrimento de uma política de resistência está desacreditada; idéias de adaptação a uma ordem em crise perdem audiência; o protagonismo da CUT no FSM revigora a política internacionalista. Mas as deficiências estratégicas sentidas nos anos 90 ainda não estão resolvidas, nem houve um salto na formulação programática da CUT capaz de dar conta da nova situação. Isso faz com que a CUT esteja, ainda, muito aquém dos desafios colocados pelo novo período da luta de classes.

 

A CSD como uma nova ferramenta

 

O lançamento da corrente CUT Socialista e Democrática é uma intervenção de militantes cutistas no processo de superação da insuficiência da elaboração e dos impasses político-organizativos vividos pelo sindicalismo cutista.

 

Valorizamos a resistência construída nos anos 90 e buscamos aprofundar o debate das alternativas. Ao resgatar a importância da luta sindical, queremos inseri-la numa perspectiva de luta política que recoloca em um novo patamar a importância do Estado na definição de direitos da classe trabalhadora. Revalorizar a trajetória da CUT significa retomar uma dimensão central de um projeto classista: a combinação da luta sindical e da luta política, a visão de construção sindical e construção partidária como dois momentos de um único processo.

 

Participaremos ativamente do debate de atualização programática da CUT considerando a questão democrática como central. Democracia nas organizações dos trabalhadores e democracia na sociedade são dois pólos que se integram numa visão que considera que o poder deve residir no povo trabalhador, que o caminho ao socialismo deve ser pavimentado na participação popular, que o Estado deve ser submetido à assembléia dos cidadãos e cidadãs, que as estruturas de representação não devem se sobrepor às da democracia direta.

 

O neoliberalismo redesenhou o Estado para colocá-lo ao serviço do grande capital e recriar uma sociedade a sua imagem e semelhança. O desafio da classe trabalhadora brasileira é refundar um Estado que esteja a serviço de um projeto emancipador; é reconstruir as relações na sociedade a partir dos valores da solidariedade, da igualdade social, do combate às discriminações de gênero e raça, da participação popular, da soberania do povo, do direito e do respeito às diferenças de crenças e opções sexuais, do internacionalismo que promova a fraternidade entre os povos.

 

Compromissos

 

A corrente sindical CUT Socialista e Democrática é herdeira de uma tradição que busca, desde os primeiros anos da CUT, compor um campo de esquerda sindical cutista formado por uma vanguarda ampla referenciada no Partido dos Trabalhadores.

 

CUT Socialista e Democrática aspira a ser o espaço democrático, criativo, e militante dessa vanguarda, dos e das militantes que vêem o movimento sindical como parte do movimento mais amplo de emancipação da humanidade e que identificam a necessidade de responder aos desafios que estão postos nas lutas decisivas de 2002 e nas que vierem.

 

No seu nome estampamos três compromissos que nos orientam: o daconstrução da CUT, como ferramenta sindical da classe trabalhadora brasileira; o socialismo como projeto histórico e elemento que deve orientar estrategicamente a ação política da Central; a democracia como elemento central da construção das organizações dos trabalhadores e trabalhadoras.

 

csd@csd.org.br